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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Constatação


Fui à loja da Oi para cancelar o meu Velox 3G após o período de "degustação" gratuita. Estava insatisfeito com as cobranças indevidas que tentaram me inpingir a cada mês, de serviços que supostamente eu teria solicitado à Oi. O atendente foi logo me dizendo que lá na loja eles não faziam cancelamentos, só adesões. Se eu quisesse, devia telefonar para a Oi (passei a manhã inteira tentando fazer isso, em vão).

Geralmente sou muito calmo, mas certas horas baixa um erê em mim. Creio que para ser atendido ou entendido pelas pessoas precisamos dar uma de louco. Minha insanidade é muito contida, mas inequívoca. Faço expressão de saco cheio e solto um "Não, obrigado!" que diz tudo. Acabei conseguindo o cancelamento.

Ah, as empresas que "fornecem" banda larga no Brasil! Até quando seremos acorrentados a elas, a seus preços escorchantes que passam por promocionais e a seus atendimentos no mínimo duvidosos aos clientes?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Poesia e Loucura


O poeta italiano Dino Campana publicou apenas um livro em vida, o singularíssimo Cantos Órficos, lançado aqui no ano passado pela editora Martins Fontes, numa edição bilíngue, acrescida de outros poemas e por fragmentos esparsos.

O poeta foi - desde os quinze anos - acometido pela loucura que o acompanharia até sua morte em 1932. Viajou por todos os cantos da Europa e esteve internado em muitos hospitais psiquiátricos.

Sua poesia é musical, simbolista, evocativa, fragmentada, com fortes laivos místicos. Mas dizer isso não a esclarece. É enigmática, porque oferece doces e frescas lembranças (para nós obscuras) e vasculha até o fundo da memória - para resgatar a beleza dos instantes, fugidios como os dias. Há belas passagens que me fazem pensar no Impressionismo e em Proust. E há alucinações inesperadas como aquelas de Walser, autor admirável como Campana, que também permaneceu internado em um hospital psiquiátrico até o fim dos seus dias.